TRABALHO E DEDICAÇÃO RECOMPENSADOS

Embora com o pensamento já na próxima temporada, a abordagem do Citroën Total Abu Dhabi WRT a este Rali da Finlândia foi premiada com um 2º lugar, alcançado por Mads Østberg.

Este terceiro pódio do presente ano, depois do 2º e 3º lugares alcançados, respetivamente, na Suécia e no México, confirma o elevado nível de performance dos C3 WRC.

 

A HISTÓRIA DO RALI

Tendo já alcançado a vitória por quatro vezes – em 2008, 2011, 2012 e 2016 – nas ultrarrápidas especiais finlandesas, onde há que contar com um carro perfeitamente afinado, em que os pilotos se sintam confiantes, a Citroën tem demonstrado todo o seu potencial neste rali fora do comum. A edição deste ano não foi exceção a essa regra.

Começando logo pelo Shakedown, Mads Østberg, convicto de que tinha em mãos o melhor carro que alguma vez tinha conduzido nesta prova (em 13 participações), alcançou o topo da tabela de tempos, seguido de perto por Craig Breen. Ficou, portanto, claro desde o início que a dupla da Citroën iria ser uma força a ter em conta no fim de semana.

Assim que a ação começou na ES2, o piloto norueguês alcançou de imediato o 2º lugar, para assumir, logo depois, a liderança na ES4, graças a uma primeira vitória em troços. Registando mais dois melhores tempos na tarde desse dia, manteve a liderança ao longo de 4 especiais, antes de terminar a 1ª Etapa no 2º lugar, a apenas 5,8 segundos de Ott Tänak, que viria a ser o vencedor deste Rali da Finlândia 2018.

Entretanto, Craig Breen sofreu um furo na ES2 que lhe custou 47,8 segundos, fazendo-o perder qualquer hipótese de figurar nos lugares da frente. Incapaz de recuperar o tempo perdido, foi ainda prejudicado pela sua ordem na estrada – foi o 3º a entrar para os troços nos dois dias seguintes – numa superfície onde a aderência melhora à medida que mais carros passam pelos troços. No entanto, sempre que as condições se mostraram mais favoráveis, o piloto irlandês aproveitou todas as oportunidades para demonstrar o seu ritmo, algo que comprovou, por exemplo, com o melhor tempo na ES8 e, depois, com o tempo alcançado na Power Stage, ficando a apenas 1,7 segundos do piloto mais rápido, ao longo dos 11,12 km do troço, resultado que reforçou a 8ª posição em que terminou o rali.

Naquele que foi o seu segundo rali do WRC do ano, depois da Argentina, a progressão de Khalid Al Qassimi sofreu um revés na manhã de sábado, após um erro na ES12. Regressando à prova no domingo sob a regulamentação “Rally 2”, o piloto dos Emirados Árabes Unidos atingiu o final da prova.

Enquanto isso, Mads Østberg retomava, no sábado, o ponto onde havia parado na sexta-feira, aguentando os constantes ataques de Jari-Matti Latvala, finlandês que já venceu por três vezes este rali. Østberg terminou a etapa de sábado com um avanço de 5,4 segundos, apesar de ter sido prejudicado pelo peso extra de um pneu para a ronda da tarde. Retomada a ação na manhã de domingo, o norueguês de 30 anos deixou bem claras as suas intenções para com os seus adversários, ao alcançar mais uma vitória num troço – a sua 4ª neste rali – conseguindo manter, depois, Latvala atrás de si até ao final da prova. Terminou o Rali da Finlândia na 2ª posição, o seu melhor resultado neste rali icónico, depois dos dois 3ºs lugares em 2013 e 2015.

 

PERGUNTAS A PIERRE BUDAR, DIRETOR DA EQUIPA CITROËN RACING

Deve ser uma sensação especial alcançar um terceiro pódio esta época, sobretudo num evento como o Rali da Finlândia e após uma batalha tão cerrada?

“Sim, temos muitos motivos para estarmos felizes neste fim de semana. Com 5 vitórias em troços, o nosso carro mostrou ser o único que poderia batalhar com o fabricante que tem como base esta parte do mundo, demonstrando, mais uma vez, o quão incrivelmente competitivo é em todas as superfícies. Sabíamos que o Mads tinha muita experiência nesta prova, pelo que ele tinha boas razões para acreditar que seria bem-sucedido aqui. No entanto, devo dizer que ele nos impressionou pela sua rapidez e consistência, mantendo-se em luta cerrada com os melhores especialistas locais. Já o rali do Craig sofreu, infelizmente, um duro golpe logo no início, o que é uma pena, porque também ele tinha potencial para obter um bom resultado. Mas todos sabemos muito bem que nestas estradas, onde o aproveitamento dos troços limpos é tão importante, torna quase impossível fazer qualquer progresso quando não se está na ordem certa de partida para os troços. Ainda assim, o que ele alcançou na Power Stage, contra os pilotos que lutam pelo campeonato, demonstra que ele também estava num bom ritmo neste fim de semana e isso é o mais importante para mim.”

O que é que aprendeu neste fim de semana?

“Este resultado confirma que todo o trabalho realizado pela equipa, tanto durante o rali como na fábrica, e também nos testes realizados, está definitivamente a levar-nos na direção certa. Demonstra ainda que as evoluções homologadas na geometria do eixo dianteiro do C3 WRC, estreadas aqui na Finlândia, são válidas e eficazes, assim como todos os outros trabalhos de afinação feitos nos amortecedores e nos diferenciais. Estou, portanto, satisfeito com a equipa, cujo constante trabalho árduo foi merecidamente recompensado.”

 

 

EM DESTAQUE…

Iniciando a etapa final de domingo com uma vantagem de 5,4 segundos sobre Jari-Matti Latvala, lutando pelo 2º lugar, Mads Østberg impôs-se no final para terminar com uma vantagem de 2,8 segundos sobre o finlandês. Kevin Struyf, engenheiro de corrida do piloto norueguês, descreve este último dia…

“Estávamos particularmente confiantes antes do arranque no domingo, porque já tínhamos tido duas fortes rondas matinais na sexta-feira e no sábado. Foi, principalmente, na tarde de sábado que perdemos tempo para o Latvala. Sabíamos que tínhamos de lutar bastante a partir da palavra ‘Go!’ e o Mads fez exatamente isso, ganhando o troço de abertura. Depois perdemos um pouco mais de tempo do que esperávamos no troço de Laukaa, o terceiro troço do dia e o penúltimo da manhã, perdendo 2,6 segundos de uma só vez. Sabíamos, por isso, que tudo se ia decidir na Power Stage, onde poderia ser uma questão de décimos de segundo. Em situações como estas, não há muito que se possa fazer, para além de tentar manter a confiança no piloto e maximizar a performance do carro, sendo-se tão agressivo quanto possível em vários aspetos, como o peso, as configurações do motor, etc. Essas coisas também podem ter um ligeiro impacto psicológico na equipa, por saberem que têm tudo para fazer as coisas bem. De qualquer modo, o Mads sabia que estava pronto para a luta porque quase nunca havia perdido tanto tempo numa só especial. Este foi especialmente o caso do troço de Ruuhimäki, uma classificativa que todos os pilotos conhecem muito bem, pois tem sido, há muitos anos, o palco do Shakedown.”

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